segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Silêncio



Isso aqui é o que não é

Não é sobre o título

Não pode ser grito nem cessá-lo de ser

Não pode ser nada, não pode ser barulho, nem estrondo ou sussurro

Ah silencio que não é

Que é calar a cor

Que é gritar a dor sem som

Ah silencio que não o é

Que é não dizer o que não pode ser entendido

Que é desdizer o que pode ser interpretado

Por qualquer significado

Ah se soubéssemos

Que nada é compreendido como foi dito

Não diríamos coisa alguma

E é tudo o que somos

Um erro de símbolos

Que jamais podem ser conhecidos

Que antes silenciados

Mais eis que nemmesmo o silencio é respeitado

Representam nos olhos, na cor, no abraço

E por que roubam tanto?

Por que roubam o direito à própria abstenção de significado?

E roubam o silencio

Que não mais significa nada

Que é palavra e som ainda que não ditos

E que só são

Erros

Estrago

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