sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Janelas



O que me serviram no jantar
Logo após o primeiro constatar de que em meio a esse banquete
Esse deleite de tantos apetites e tantas mentiras
O que me serviram foram janelas

Boquiaberto e abandonado por toda a graça
Eu olhava através dessas vidraças
Dessas aberturas que nos previnem dos encontros

Eu observava a chuva de verão
E os encontros que pareciam mais feios
Os beijos molhados que pareciam mais sujos
Eu me escondia no canto

Minha sopa queimando minha língua
Minha indigestão e minha bílis
Meu observar intranqüilo desses devastadores sorrisos
Desses escandalizantes amores
É uma janela amarga que me servem
É uma olhar para o deleite que por mais que eu encare
Não posso tocar

Por: Wesley Grunge

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