
pois é
tenho em mãos meu violão
forjado em madeira e encordoado em aço
aço dos guerreiros e dos bravos
dos bravos amantes ou simplesmente bravos
me lembrando daquele frio dessa cidade dos fantasmas
e do teu calor e tua graça
da tua voz e respirar
mas também o que se faz aqui é meu desafinar
dessa voz rouca e baixa
que é grito e sussurro de saudade
que é contraditório em essência
pois que a saudade só existe como beleza sublime
em tua ausência
é feia, imunda e bela
eta saudade que é perfeita para as canções
e um monstro para os que vivem em solidões
que é como vinho e é como fera
é o saciar da minha vontade que te espera
é um entrelaço de braços
um confundir-se de corpos e de espasmos
porque o que me resta aqui
junto às canções e cordas de aço
é uma sede que é saudade
que é vontade de teus braços
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