quarta-feira, 1 de junho de 2011

Planto espinhos e espasmos


Planto cactos

Planto cactos no teu silêncio de medo

Planto nesse ocultar-se

É neste entregar-se que planto cactos


Eu planto cactos

Nesse conforto forjado sobre trabalho dos miseráveis

Nesse descanso alheio à dor e ao cansaço

Planto espinhos e espasmos nesse teu conforto

Nesse conformar-se calado

No teu silenciar dos fracos


Eu planto espasmos

Planto espasmos nessa tua castidade santa e sem graça

Nessa tua vergonha moralista e apática

Eu semeio tua desgraça, tua ruína e confusão


Te mostro os fantasmas dos teus costumes com amargas palavras

Por que essas que escrevo e falo são facas

Que ferem que pesam e te arruínam

Que desconstrói o teu orgulho e teu brilho


Colocar a duvida, semear o pensar e o movimento inquieto

Essa é a missão de ferro que recebo do teu olhar

O discordar, o duvidar plantado em espinhos forjados em palavras amargas

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