
Planto cactos
Planto cactos no teu silêncio de medo
Planto nesse ocultar-se
É neste entregar-se que planto cactos
Eu planto cactos
Nesse conforto forjado sobre trabalho dos miseráveis
Nesse descanso alheio à dor e ao cansaço
Planto espinhos e espasmos nesse teu conforto
Nesse conformar-se calado
No teu silenciar dos fracos
Eu planto espasmos
Planto espasmos nessa tua castidade santa e sem graça
Nessa tua vergonha moralista e apática
Eu semeio tua desgraça, tua ruína e confusão
Te mostro os fantasmas dos teus costumes com amargas palavras
Por que essas que escrevo e falo são facas
Que ferem que pesam e te arruínam
Que desconstrói o teu orgulho e teu brilho
Colocar a duvida, semear o pensar e o movimento inquieto
Essa é a missão de ferro que recebo do teu olhar
O discordar, o duvidar plantado em espinhos forjados em palavras amargas
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