segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Letras e Roupa Molhada




Coisa bonita de se ver
É o poeta que tudo pode
Pegar uma palavra
Abri-la ao meio e colocar uma cor, um sentimento
Bonito de se ver é colocar um final feliz
Escrever um encontro num conto de saudade

Tem coisa da verdade
Tem o choque do horror do jornal da tarde
Bula de remédio, manual de instrução
Uma palavra errada e é dor de barriga, náuseas e choque elétrico

Tem coisa que é de crença
Tem por aí tanto evangelho falando da vida e dos destinos
Tanto ritual, folclore, fantasia
E tem gente que decora e leva a palavra pro resto do dia

Responsabilidade do escritor
Que mata mil com a ponta do lápis
Que mira o revolver e causa os gritos
Coragem é não passar a borracha antes do tiro

Fantasia de escritor
Aquele que faz milagres e cria mundos, que mata, que ama
Que é nada e que é tudo
Que faz de todo o impossível um absurdo

Escritor de vida e de morte, que quando escreve fim jamais ressuscita
Tolstoi matou Andrei
Outros foram presos por Dostoievsky
Corre Forest, corre
Que a caneta não te quer deixar parar

As paginas seguem, as paginas crescem
São romances russos, são contos de horror
São amor, filosofia e história
Escreve-se aqui ate a falta de memória
Ate a falta de bom senso e de humor

E daqui saem eruditos e sai a beleza nordestina de um cordel
E é leveza, é medo e é cansaço
E das canetas saem abraços e beijos e gemidos
Dos papéis também saem preguiça, além de pressa

Tudojuntodeumavez

E o que tu faz aí parado?
Corre pra vida, escreve o teu estrago nas horas do dia
Quem não lê no viver de um pôr do sol não escreve poesia no mundo

Não quero aqui papeis amassados
Quero dois sorrisos largos e lagrimas de alegria
E que a chuva molhe essas páginas
Molhe nossas roupas e molhe tudo o mais
Escreveremos na terra molhada, nas paredes, nas calçadas, nas linhas dos nossos dias

de: Wesley Grunge

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