sábado, 19 de novembro de 2011

Profundo


Venham vermes
Despedacem esse corpo, corroam os ossos
Venham
Rasguem essa carne putrefata com ferocidade
Venham, venham em busca de verdade

Escutem ouvidos, surjam pelas paredes
Procurem olhos 
Por sinais visíveis

Venham doutores, com seus bisturis e sua necropsia
Naveguem pelas entranhas e procurem por mim
Tentem desvendar os mistérios

Venham vocês religiosos
Tragam seus padres e pastores
Tragam sua manada de mistificadores e fracos de toda a espécie
Invadam a tempestade de minhas dores com preces

Venham políticos, mercadores de gente
Venham vocês que roubam a vida
Que matam os famintos e que os alimentam de fé e de esperança nos eleitos

Cavem, cavem, cavem
Rasguem, corroam, rezem
Mas não chegarão a mim, ao fundo do meu ser
O que se esconde por trás desses nossos olhos é o infinito
O que se esconde por trás desses gritos é muito mais do que podem ouvir
O que se esconde por trás dessa fala é muito mais do que entende o seu entendimento
Por dentro somos muito mais que ossos, somos muito mais que as almas do misticismo
Somos o que somos
Somos muitos
Infinitos 

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