quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Muitos e Nenhum





Por trás do olhar que não diz nada
Do riso que dissimula
Do sentimento profundo
E muitas vezes declarado
A sensibilidade
Este sou eu?
Não, não sou

Logo ali, mais em frente
O diabo no corpo
A ferocidade do sexo
As palavras amargas distorcendo a vida
A argumentação seca
E um humor ácido
A violência dos gestos e das paixões
Eis que sim
Me encontrou
Sim
Mas esse não sou eu

Racionalidade
O olhar pra baixo pra ver a vida
Ou o olhar de baixo pra ter a vida
Livros, cafés, filmes
E toda sorte de aprendizados
Controle da raiva, do medo e da dor
Parece tão esperto, tão sério
Equilibrado
Sim , mas esse não sou eu

A vontade de viver
a luta diária
Começar de novo para errar outra vez
E mais uma vez voltar do fundo do poço
Levantar, correr, abrir as asas e cair
Parece tão determinado a chegar lá
Mas esse
Não sou eu

Cabeça baixa, quase ao chão
Disfarçando a dor com uma gargalhada sonora
Medo de abrir coração e boca
Calando o vulcão
Tornando tudo silêncio
Parece tão triste, se parece tanto comigo
Mas esse, não sou eu

Então os guardas
Psicanalistas, curiosos, amigos
E você que amo ainda que não saibas
Trazem suas perguntas
Respondo-as todas
Com sinceridade absurda
Ainda que seja logo morto
Mas esse a que chegas acreditando ter definido
É apenas o que tu pensas
Esse
Não sou eu

Então vai mais a fundo?
Arranca minha língua num beijo selvagem
Testa meu sexo e mapeia meu corpo e desejo
Olha nos olhos buscando a verdade das palavras
Escuta os meus gritos
Zela o sono
E cuida do cadeado de minha prisão

Mais a fundo então
Mata-me, arranca-me a vida
Me testa quanto à ressurreição
Me parte em pedaços
Pega meu coração ainda quente
Separa as partes
Meu cérebro
Tudo
E não é mais nada
E esse
Ainda não sou eu

Mais que uma definição

Mas olhe mais de perto


Por: Wesley Grunge


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